Amália Machado, sapateadora, professora e coreógrafa, iniciou seus estudos de sapateado aos cinco anos de idade, com Pat Thibodeaux. Desde 1979, ainda adolescente, até hoje, viaja periodicamente para Nova York, com o objetivo de sempre aprimorar sua técnica. Foi aluna frequente de Bob Audy e Judy Bassing, e de lá para cá fez aulas com Barbara Duffy, Savion Glover, Gregory Hines, Brenda Buffalino, Dianne Walker, Leslie Lockery entre outros. Suas mais recentes viagens foram em 1997, quando teve aulas com sapateadores dos musicais “Bring in ‘da Noise, Bring in ‘da Funk” e “Tap Dogs”; em 2000, quando fez o Annual Workshop da American Tap Dance Orchestra, além de aulas avulsas e de improviso, com os professores Baakari Wilder, Buster Brown, Linda Schwab, Margaret Morison , Barbara Duffy e Jimmy Tate; em 2002, quando concentrou seus estudos nas aulas de Savion Glover; e em 2007, quando se dedicou especialmente às aulas de Barbara Duffy.

Sua formação tem origem no balé clássico, cujos estudos deram-se na Academia Dalal Achcar, durante dez anos, e mais tarde nas academias de Eugenia Feodorova e Tatiana Leskova. Cursou jazz com Carlota Portella e Regina Sauer, bem como com diversos professores da academia de Marly Tavares, como Márcia Barros e Lea Ayres.

Começou a lecionar o sapateado aos quatorze anos na Academia de Ballet Johnny Franklin. Desde então, nunca mais parou. Deu aulas em diversas escolas e em universidades, no Rio de Janeiro e em outras cidades. Com Stella Antunes, sua amiga de infância, criou o grupo Sapateando, o primeiro grupo profissional de sapateado do Rio de Janeiro, iniciando um trabalho com o objetivo principal de divulgar este estilo de dança, ainda muito carente de espaço. Juntas levaram o sapateado a lugares bem populares, como estações do metrô, escolas municipais, praças e espaços alternativos da Prefeitura do Rio de Janeiro, começando a abrir os caminhos profissionais da história do sapateado no Brasil. Encontraram muitos obstáculos, sempre superados com muita persistência e profissionalismo – semeavam o interesse e a procura por um sapateado de qualidade, formando platéias com referência neste estilo de dança.

Mais tarde, em 1985, abriu sua própria academia, a Dança & Cia., em sociedade com sua parceira – além de seu trabalho como empresária e coreógrafa, dedicou-se intensamente ao ensino do sapateado para turmas de crianças, jovens, adultos e de terceira idade. Juntas criaram a Cia. Dá No Pé e, em 1986, conceberam e produziram o espetáculo “Sapato Musical”, dirigido por Rubens Lima Júnior. Este trabalho, que mostrava a história do sapateado desde as suas origens, serviu de inspiração para um novo espetáculo, homônimo, em 1988, com texto de Sérgio Melgaço. A coreografia as levou a indicação de revelação do Prêmio Mambembe de Teatro Infantil. Na época, pela primeira vez na história do Prêmio Mambembe, estava sendo indicado um trabalho de Coreografia. Este fato chamou a atenção da classe teatral para a importância da qualidade da coreografia nas produções teatrais, em especial em musicais infantis. Sucesso de crítica e público, foi a maior bilheteria do teatro infantil de sua temporada.

Como jurada, professora e palestrante, participa de diversos concursos e festivais de dança estaduais, nacionais e internacionais. Atua, também, organizando audições e seleção de elenco para espetáculos de sapateado. Leciona em workshops e cursos especiais para profissionais, em academias e eventos de dança. A título de exemplo, realizou trabalho bem completo nesta área, em 2000 – foi convidada para o encontro Tap Sul, realizado na cidade de Rio Grande (RS), onde ministrou aulas, apresentou-se em performances especiais e emitiu avaliação técnica e artística para todos os grupos, amadores e profissionais, que se apresentaram no evento.

Durante muitos anos, ministrou a prova de classificação profissional de sapateado no Sindicato da Dança do Rio de Janeiro, atuando também como banca julgadora em diversas ocasiões. Mais tarde, foi sócia-fundadora da Associação Brasileira de Sapateado, hoje extinta.

Sempre ligada às artes cênicas, fez faculdade de Teatro na Uni-Rio e cursos de interpretação na CAL – Centro de Artes Laranjeiras. Estudou canto, voz e música, durante muitos anos. Ligada a grupos de teatro, coreografou para diversos números musicais e peças infantis, com elencos nem sempre formados por atores-bailarinos – entre estes trabalhos, “Maroquinhas Fru-Fru” (1982), “Uma Pipa Tão Pipa no Céu” (1992) e “Grupo Morandubetá – Contadores de Histórias” (1994).

Desligou-se da Dança & Cia. em 1988 e foi convidada por Stella Antunes a trabalhar com a Orquestra Brasileira da Sapateado, coreografando para os espetáculos “Sinopsis” (1991 e 1992), “Cinco a Dois” (1993 e 1994), “Heleno de Freitas” (1996), “Insônia da Lapa” (1998 e 1999) e “Maquinária” (2001). Estas temporadas estrearam no Rio de Janeiro e algumas viajaram por São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília, entre outras cidades. Em parceria com Tim Rescala, Sérgio Britto, Bernardo Jablonsky, Aurélio de Simoni, Paulo César Medeiros, Teca Fichinsky, entre outros profissionais de teatro e música do cenário nacional, criaram trabalhos inovadores e de enorme sucesso de público.

Em 1989, foi convidada por Carlota Portella a aperfeiçoar, em aulas particulares, os professores de sapateado de sua academia. No ano seguinte, o convite foi ampliado – passou a ser professora titular da escola, lecionando para as turmas mais adiantadas, bem como assumiu a coordenação da área, sendo responsável pela qualidade do ensino ministrado a todos os alunos de sapateado. Junto a Carlota Portella, veio a trabalhar por dez anos.

Em 1991, teve participação fundamental na criação e organização da primeira Sapateata realizada por Stella Antunes no Rio de Janeiro, que teve sua segunda edição no ano seguinte.

Entre 1998 e 2000, desenvolveu um trabalho específico para um grupo fechado de alunos adiantados e profissionais, com aulas de música e percussão, buscando o aprimoramento do potencial de cada um dos integrantes. Para este aprendizado, teve como professor o músico Celso Alvim, um dos fundadores do grupo Monobloco e integrante da Parede, banda de Pedro Luís.

No Carnaval de 1999, foi convidada pela LIESA – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – para ser jurada do quesito Mestre-sala e Porta-bandeira no desfile oficial do Sambódromo.

Em 2000, foi entrevistada pelo Canal Futura, no programa Cine Profissões, convidada a analisar o filme “Born to Dance”, estrelado por Eleanor Powell e James Stewart, e a dar o seu parecer sobre a profissão de sapateador e o seu mercado no país.

Em 2002 e 2003 ministrou aulas exclusivas para os profissionais da Orquestra Brasileira de Sapateado, para a qual realizou a coreografia da remontagem do espetáculo “Sapato Musical”, onde também assinou a direção de coreografia. O espetáculo estreou em outubro de 2002, no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, ficando em cartaz por seis meses. Pelo seu trabalho, acrescido de novos números musicais em relação a montagem original, recebeu a indicação para o Prêmio Maria Clara Machado de Teatro Infantil, na Categoria Especial.

Em novembro deste mesmo ano, foi convidada por Sérgio Britto a dar uma entrevista em seu programa “Arte”, na Tv Educativa, falando sobre a história do sapateado e como ele se refletiu nos filmes musicais de Hollywood no século passado.

Em 2003 lançou o livro Tap – A Arte de Sapateado, em co-autoria com Flávio Salles. O livro conta toda a história do sapateado, com uma relação de aproximadamente 200 filmes musicais e seus coreógrafos, além de apresentar uma metodologia de ensino, com programas de aulas e extensa terminologia. Fruto de uma árdua pesquisa e da experiência aplicada, desenvolvida criteriosamente ao longo de todos estes anos, o livro Tap – A Arte do Sapateado, é a primeira publicação no Brasil sobre o sapateado norte-americano. O prefácio, de Dalal Achcar, ressalta: “Este livro será um manual indispensável a todos os alunos, professores e amantes desta arte. Seu aspecto didático e informativo vem preencher uma lacuna e será certamente um clássico na biblioteca das faculdades, escolas e academias de dança.”

No segundo semestre do mesmo ano, a Orquestra Brasileira de Sapateado recebeu o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro com o intuito de viabilizar a montagem de um novo espetáculo para 2004. Para tal, coreografou o espetáculo “Síntese”, que estreou em temporada popular no Porto dos Palcos (complexo de quatro teatros, criado por Miguel Falabela, em um armázem dasativado no cais do porto, com o objetivo de oferecer ao povo carioca todos os espetáculos patrocinados pela Prefeitura ao longo daquele ano). Na sequencia, realizou temporada de três meses no Teatro Gláucio Gill, seguindo com apresentações em todas as lonas culturais do município, bem como temporada de dois meses no Teatro Gazeta, na capital paulista. Além disso, seguiu com uma agenda de apresentações por Vitória (ES), Belo Horizonte (MG) e pelo interior dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2005, de volta ao Rio de Janeiro, o espetáculo “Síntese” teve reestréia em abril no Teatro da Artes, ficando em temporada por três meses.

Em 2005, coreografou para o musical infantil “O Passarinho e a Borboleta”, espetáculo da Orquestra Brasileira de Sapateado, dirigido por Marcelo Saback – estreou em janeiro de 2006, com temporada de seis meses no Teatro das Artes e, por ele, seu trabalho recebeu crítica elogiosa do Jornal do Brasil.

Suas participações em festivais e workshops nos últimos anos foram: em julho de 2005, quando ministrou workshop de sapateado – duas turmas por dia (intermediário e avançado), com 2h de aula cada, durante três dias – no 13º Festival Passo de Arte, em Indaiatuba, São Paulo, e foi jurada das modalidades sapateado, estilo livre, dança de salão e jazz; ainda neste mesmo mês, participou como professora convidada de sapateado do 23º Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina, lecionando em duas turmas diárias (intermediário e avançado), com 1h30m de aula cada, durante sete dias; em 2006, quando foi jurada do Xڍ Festival de Dança do Mercosul, realizado no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro; em janeiro de 2007, como professora do Tap In Rio, festival realizado por Steven Harper e Adriana Salomão, no Rio de Janeiro; em maio do mesmo ano, quando foi jurada do XXIV Festival Nacional de Dança do CBDD, no Rio de Janeiro, onde participou como jurada das modalidades sapateado, dança de rua, danças populares, dança de salão, estilo livre e jazz; em março de 2008, quando ministrou workshop para os níveis iniciante, intermediário e avançado no Lyceu Escola de Dança, no Rio de Janeiro; em julho deste mesmo ano, no XV Festival de Dança Corpo Livre, no Rio de Janeiro, onde foi jurada de sapateado, moderno, contemporâneo, jazz, folclore e dança de rua; em junho de 2009, novamente como jurada no XVI Festival de Dança Corpo Livre, nas mesmas modalidades; em julho deste mesmo ano, no 17º Festival Passo de Arte, em Indaiatuba, São Paulo, onde foi professora e jurada da modalidade sapateado; e como professora nas edições de 2011 e de 2012 do Tap in Rio.

Em janeiro de 2011, recebeu a Homenagem Especial Tap in Rio, pela sua contribuição e incentivo a arte do sapateado no Brasil.

Atualmente, é professora na Academia do Tap – iniciou seu trabalho na escola em janeiro de 2012, no workshop de verão, seguindo com uma turma regular de nível avançado.Além de sua trajetória na dança, Amália é publicitária atuante, formada em Comunicação Social pela UERJ, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

Amália Machado é respeitada nacionalmente e considerada uma das principais coreógrafas e professoras de sapateado no país.